quarta-feira, 1 de Abril de 2009

"Pão e Circo"

É sabido que vivemos actualmente momentos verdadeiramente dificeis. A crise que se faz sentir, projecta no próprio ser humano todas as suas fraquezas e faz mostrar as suas dependências, sendo estas, essencialmente de teor económico/financeiro.
A expressão “para o povo, pão e circo”, é uma conhecida frase criada pelo imperador romano Júlio César a qual se resume basicamente, ao fornecimento de comida com baixo custo e diversão para afastar a atenção da corrupção, das enfermidades sociais, do bem-estar real dos cidadãos e de forma a suprimir o espírito crítico e a capacidade activista e contestadora inata em cada ser humano.
De certa forma… se pensarmos bem… a vida que levamos, o mediatismo exacerbado que diáriamente (quase) somos obrigados a consumir, os arquetipos que nos querem incutir, a programação televisiva que irrompe pelos nossos olhos dentro, nomeadamente a paixão que o futebol desperta nas massas e todo o “cor-de-rosismo” emitido a toda a hora, intercalado por diversos comerciais que nos levam a adquirir aquilo que não necessitamos, reflectem exactamente o retorno, talvez não de uma “politica”, mas de um sentimento colectivo ligado a essa ideia.
Somos um povo ocioso, retraído, habituado a ser condescendente e com tendência ao pré-derrotismo, se hoje existe crise, aguardamos à espera que esta passe … sem nada fazer, sem cansar os nossos delicados músculos, sem exercitar os nossos (poucos) neurónios. Esta não é apenas a politica do “Pão e circo” é também a politica do “deixa andar”.

Caríssimos... a crise que nos bateu à porta não vai desaparecer como num passe de mágica, não podemos baixar a cabeça, não podemos deixar que a nossa própria condescendência ganhe terreno, não podemos “alimentar o monstro”, ele está aí … é certo, mas não é através da submissão que o vamos travar mas sim através de um confronto directo, activo e proactivo. No entanto este confronto não pode ser desmedido, também não podemos deixar que o nosso “sangue” seja sugado pelos “vampiros” obstinados, não nos podemos esquecer que “eles comem tudo e não deixam nada”…
Eu sou uma pessoa de poucas certezas (isto é certo) sendo apenas esta uma excepção: O desânimo instaurado alimentará a “besta”, e sentir-nos-emos cada vez mais impotentes … sem forças … se nada fizermos, no culminar da desgraça, teremos aquilo que efectivamente merecemos!
Não, não quero ser conhecido como o profeta da desgraça, (aliás eu não quero, de todo, ser conhecido por coisissima nenhuma) quero apenas alertar que este é um periodo dificil, conturbado e só com muito esforço será ultrapassado. Conheço de perto algumas pessoas consumidas pelo desânimo, sem forças, sem alento para continuar, aclimatados a um nivel que, nos dias de hoje não pode ser vivido. Elas, devastadas pelo “glutão” económico, esmorecem e caiem no marasmo entrando num ciclo vicioso no sentido do retrocesso.
Esta é a hora certa para acordar, para fazer algo, é nos momentos de maior crise que também surgem os momentos das grandes oportunidades … Acordai… injectem em vós próprios a dose necessária de adrenalina para vos activar!
Acordai … “Acordai homens que dormis a embalar a dor nos silêncios vis, vinde no clamor das almas viris arrancar a flor que dorme na raiz …”

*** [Dedicado a alguém (o qual muito provavelmente não irá ler este post) que ficou sem trabalho, está prestes a ficar sem casa e possui duas criaturas dependentes que merecem todo e qualquer sacrifício que ele possa fazer. Para ele (e outros em situação similar) apenas deixo uma pequena nota … não é o trabalho que executas que te dignifica, és tu próprio que deves dignificar o teu trabalho, seja ele qual for … o importante é que te aguentes e que encontres um "trampolim" que te sirva de base e te faça erguer novamente].

5 comentários:

Ztsche disse...

A questão da sociedade será sempre "pano para mangas" e surgirão sempre criticas velhas por novas palavras. É essa a realidade que nos envolve, o tão falado "deixa-andar que isto passa" mas, se ninguém mexer uma palha, como poderá passar? Ainda assim, avistamos um sem-número de individuos capazes de recorrer ao famoso crédito mas, imagine-se, não com o intuito de pagar contas pendentes, não!, sim com o objectivo de ir de férias! Sim, gozar de umas belas férias com um belo dinheiro que se andará a pagar durante anos com taxas de juro assustadores mas, ainda assim, não deixam de ser férias. Pensaremos nisso quanto terminarem. Contudo, a realidade depois desse momentos de "triste felicidade", é exactamente a mesma, apenas com mais uma conta a pagar ao fim do mês. Até que surge a politica do "deixa andar".
Perder-me-ia em comentários ao teu post, mas não, não quero que demores tanto a ler o meu comentário, quanto demoramos a ler o post. :)
Continua. As tuas palavras são sempre de agradável consumo.

Ztsche disse...

A questão da sociedade será sempre "pano para mangas" e surgirão sempre criticas velhas por novas palavras. É essa a realidade que nos envolve, o tão falado "deixa-andar que isto passa" mas, se ninguém mexer uma palha, como poderá passar? Ainda assim, avistamos um sem-número de individuos capazes de recorrer ao famoso crédito mas, imagine-se, não com o intuito de pagar contas pendentes, não!, sim com o objectivo de ir de férias! Sim, gozar de umas belas férias com um belo dinheiro que se andará a pagar durante anos com taxas de juro assustadores mas, ainda assim, não deixam de ser férias. Pensaremos nisso quanto terminarem. Contudo, a realidade depois desse momentos de "triste felicidade", é exactamente a mesma, apenas com mais uma conta a pagar ao fim do mês. Até que surge a politica do "deixa andar".
Perder-me-ia em comentários ao teu post, mas não, não quero que demores tanto a ler o meu comentário, quanto demoramos a ler o post. :)
Continua. As tuas palavras são sempre de agradável consumo.

Anónimo disse...

Gostei do post, boa escrita e grandes verdades!
Concordo igualmente com o comentário (em duplicado :))deixado anteriormente.

Sandra

Ztsche disse...

Ora, ter feito o comentário em duplicado foi um erro técnico. :)Aproveito, uma vez mais, para frizar a realidade com que nos deparamos que chega até, a ser preocupante, e que o nosso caro P.Moai tão bem nos expressa.
Keep going. :D

Horushu disse...

Esta crise enorme parece maior de facto se estivermos a ler-lhe o guião como actores.
Um abraço,
Jorge