quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Israel, Palestina, Fatah, Hamas .Gaza…….. e os outros? Foram esquecidos???

Concordo plenamente que se desnude e divulgue toda e qualquer atrocidade cometida à divina vida humana mas tenho verificado que a comunicação social tem dado total exclusividade ao confronto Israel – Palestina. As palavras Faixa de Gaza, Fatah, Hamas, Israel e Palestina são constantemente difundidas em todo e qualquer órgão de comunicação que utilizemos, lemos o jornal e lá estão elas, ligamos a televisão e lá estão novamente, o mesmo em todos os jornais. (Volto a dizer) concordo que se divulgue, todos nós necessitamos de compreender o que se passa para podermos opinar sobre o assunto.
Esta sociedade globalizada em que vivemos, permitiu transformar a nossa opinião, a opinião pública, numa poderosa arma que poderá fazer alguma diferença mas faço votos para que também outras palavras sejam ouvidas e lidas tais como Darfur (no Sudão, onde se desenrola um genocídio quase invisível aos olhos da imprensa internacional) e Ruanda (onde os confrontos entre a Republica Democrática do Congo e os rebeldes ainda persistem, também aqui é necessário evitar que o genocídio e restantes atrocidades cometidas em 1994 - onde morreram 800 mil Hutus e Tutsi - não se repita). Os média têm o fundamental papel de nos dar a conhecer as atrocidades cometidas e de afervorar em nós uma reagente opinião relativamente ao assunto.
Por mim, e para que não julguem que apenas aqui estou para criticar sem apresentar propostas, o mais poderoso meio de comunicação actual, a televisão, pode deixar de difundir uma qualquer novela ou um outro qualquer desses programas “cor de rosa”, a favor de mais informação desde que esta seja divulgada, cada vez mais, de forma isenta e verdadeira.
Ahh … pois é … mas aqui há um pequeno problema …. existe aquela pequena palavra que para eles é muito importante … Share ($$$$)… a quota de audiência, possivelmente, iria diminuir. Peço desculpa aos Senhores administradores, accionistas e afins das agências televisivas…. pois sem querer já estava a “meter as mãos” nos vossos enormes e recheados bolsos.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Dúvidas Convictas

Todos nós, transeuntes deste caminho que é a própria vida, sentimos na pele do nosso próprio corpo a queimadura ácida da dúvida. Existirá porventura alguma directa correlação entre a chaga e a dor que por ela é transmitida?
Como encontrar a resposta digna às nossas conveniências, sabendo de antemão que cada uma das possíveis hipóteses poderá originar novas linhas de vida distintas e, que cada uma delas, poderá interagir de forma diferente com o futuro dos nossos próprios entes? Se fossemos um Ser Uno, indivisível, sem dependências próprias, talvez este medo de errar na escolha não fosse tão dramático e intrincado, no entanto não é verosímil que assim seja pois uma sondagem de introspecção levará à verdade absoluta de que todos somos seres efémeros e dependentes de algo ou de alguém!
São as intersecções da nossa linha recta de vida que nos levam ao culminar de cada nova etapa, sabendo entretanto que cada nova escolha originará o percorrer de um novo e enigmático caminho, predispondo, no epicentro da nossa tormenta, novas dúvidas sendo estas directamente proporcionais às novas vivências.
Não, não vos vou divulgar qual a incerteza presentemente vivida, não pelo facto desta ser pessoal e intransmissível (que não o é), mas pelo facto de que esta decorrente dúvida de hoje poderá, quem sabe, já estar extinta amanhã, tendo contudo a certeza que uma outra, seja ela existencial, metafísica ou simplesmente terrena, gerará um novo corrupio no meu vórtice cerebral.
Dúvidas …. Elas que venham, desafio-as, irei desmembrá-las transformando-as em certezas coerentes… ou talvez não!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Os Contemporâneos - As Gafes de Manuela Ferreira Leite




Fenomenal este sketch! Um retrato quase fiel da Lider do maior partido da oposição.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Ensaio sobre a Cegueira – José Saramago


A vertente técnico/profissional imposta pela minha vida tem-me levado, um tanto ou quanto, a descurar o prazer das artes literárias, no entanto, tendo arranjado um tempinho, não posso deixar de aproveitar a oportunidade para vos falar um pouco do último livro que eu li, sendo esta uma obra marcante e que me levou a obter uma visão distinta da que até então eu tinha relativamente ao ser humano enquanto ser social.


O Ensaio sobre a Cegueira… Como encontrar as palavras certas para descrever, ainda que sucintamente, esta obra? È de facto uma tarefa complicada perante uma genialidade literária como esta.
Posso, sem sombra de dúvida dizer-vos que este foi o livro mais marcante que já li até hoje.
Que adjectivação usar para a conseguir caracterizar, sabendo de antemão que todos os adjectivos lhe assentam? … Esta é efectivamente uma obra Inquietante, cruel, desconcertante, horripilante, triste, feliz e, parando desde já com a infindável adjectivação que a poderá caracterizar, contém uma escrita raivosa que nos transcende.
O autor, na sua concepção, não utiliza referências temporais, nada nos permite dizer seguramente em que momento é que aquele mundo se insere – pode muito bem ser este o momento – O mesmo podemos dizer em relação ao espaço, apenas sabemos que a acção se desenrola numa qualquer cidade – podendo muito bem ser a nossa cidade -.
A ausência propositada das referências tempo, espaço, sem esquecer a supressão das próprias identidades das personagens, possui uma associação intrínseca à própria cegueira que se espalha.
Os indecorosos instintos demonstrados neste romance pós-moderno, os quais fazem eclodir a revolta do leitor, extrapolam o nosso conhecido “mundo civilizado”, existe aqui um confronto dos magistrais princípios da civilidade que conhecemos, retratando o colapso da sociedade num palco de atrocidades sem fim. É fenomenal esta narrativa intensa onde quase não são usados parágrafos e cujas virgulas usadas pelo autor são com o intuito de suavizar a história e nos permitir, a nós leitores, um muito ligeiro descanso aos horrores do enredo que compõem esta fábula assustadora.

Que mais dizer? Lê-lo é indubitavelmente uma experiência única.
Não tendo eu a intenção de pressagiar o que quer que seja, mas mesmo assim caindo nesse erro, não estaremos nós, sociedade deste mundo moderno, a atravessar um período de uma epidémica cegueira branca? … Não estará, por exemplo, esta alegoria correlacionada com a crise económica que atravessamos e cujo início se deu naquele país, carregado de estoicismos prosaicos onde a lei vivida é a do dólar? Sim, aqueles mesmos, os que se auto-denominam Senhores do Mundo...

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara"

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Nostalgias

È findo mais um dia do cumprimento dos chamados deveres laborais, o crepúsculo abateu-se por entre o pequeno envidraçado onde outrora se vislumbrava a luz daquela estrela criadora de vida.
Vivenciei a noite, um tanto ou quanto, empurrado pelos outros prisioneiros desta batalha perdida. Ao tentar afogar a mágoa dei por mim a deglutir mais uma CRF num qualquer bule aquecido, na esperança vã de igualmente enternecer o corpo e alma do frio provindo do exterior. Abstraído momentaneamente do presente, rememorei aquela pequena criatura adoravelmente pura e bela que me cativou desde que decidiu confrontar este mundo infecto.
Recolhi-me ao estranho Leito tendo a própria solidão por companhia, aquele pequeno ser, de uma beleza imensurável e totalmente dependente, perpetuava neste meu pedacinho cerebral que me controla os sentimentos. Que sensação é esta que me invade e leva a perceber que hoje o dependente sou eu? Sinto-me completamente agarrado àquele grande vicio que é a pequenina Lara. Como poderei ausentar-me? Como poderei perder as suas belas e constantes mutações? Estarei preparado para perder tudo isso? Os pequenos fios da teia desta minha vida estão entrelaçados com os dela, formando um unificado cordel que jamais poderá ser corrompido. Sinto que somos uma criatura indivisa cuja separação presente já me faz morrer um pouco.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Prefácio

Aqui estou eu, qual crisálida irrompendo do protector casulo, tentando chegar àquelas criaturas que não me ouvem. Embora tentando que as vibrações oriundas do meu orifício bucal cheguem àqueles tímpanos, saberei sempre que nunca atingirão aquele cérebro e que os resquícios chegados serão sempre de uma distorção deprimente. Mas a esperança persistirá sempre em mim.
Não sei qual a razão pela qual não me faço ouvir e o propósito deste blogue estará, em parte ligado a esta questão, à minha necessidade de apurar o meu sentido crítico, e porque não dizer também auto-crítico, sem esquecer porém o exercitar da opinião perante a sociedade e perante a vida.
Este é um blogue pessoal, não querendo com isto dizer que seja unicamente meu. É, acima de tudo algo que vos transmito, mas um monólogo jamais serviria os meus propósitos, estou aberto ao diálogo e sujeito á critica (desde que construtiva) e que me ajude na minha dinâmica transformação.
Agradeço pelo despertar surgido de uma tal de "Ztsche" à qual agradeço e cujo ser nem tem consciência da minha existência. Ser tendencialmente criativo, criativamente literário e ávido de socialização, que sem saber carregou no "Enter" do meu teclado accionando o correcto programa de expressão. Estarei atento ás tuas metamorfoses e transmissão de sensações na dita tertúlia daquele bolbo que faz irromper os nossos fluidos lacrimais.