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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Memórias de incerteza

Sentou-se defronte à janela do destino, sentiu que devia agir mas não o fez … o medo do amanhã impediu-o e obstruiu a parte cerebral que o leva a agir. A palavra “futuro” pode ter um efeito entorpecedor quando coadjuvado com as incertezas que lhe são inerentes. Pesando as (más) convicções das memórias passadas com as indeterminações futuras, o resultado final terá certamente algo a ver com a palavra “medo”, palavra nefasta que lhe congela a acção, afastando-o para um lugar distante, para algo como … “não-realização”. Percebeu afinal que o aconchego do medo pode ser muito apelativo se algo, para além dele, não fora ainda sentido. Ao contemplar, o horizonte azul da indefinição, ele apreendeu que a inacção é aliada da incerteza e que uma batalha com esta, só pode ser vencida pelo simples acto de agir. Hoje, quando age, sabe que o futuro continua incerto mas já controla uma ínfima parte do seu, ainda longo, percurso.

(texto, ainda, em desacordo com o acordo ortográfico… porque as palavras parecem mais bonitas quando escritas como antes)

domingo, 20 de novembro de 2011

Quietudes incertas

Surgiu finalmente a desejada obscuridade que me apazigua no final do dia. Não sabendo o quê, porquê ou para quem, senti a irresistível tentação que me leva a pegar na velha caneta e me incita a escrever, não sei o que irá sair daqui… talvez pouco ou um quase nada. Há certos actos, quase involuntários, que nos levam a fazer coisas como que a saciar uma fome ou provocar uma acalmia de uma ressaca pseudo-criativa que à muito não é expelida… e talvez o “agora” ainda não seja a hora…
Hoje dá-me para isto… fujo aos canais noticiosos que, de dia para dia, sustentam e reforçam a ideia de uma triste e acelerada putrescência que assola a pátria que me viu nascer e, com sorte, também verá perecer. Fujo igualmente aos “big brother’s” da actualidade, que me deprimem e impelem num declínio crescente em relação ao futuro do meu país. É dado circo aos que gritam por pão e os arquétipos usados, pela jovem massa que terá de levantar a pátria, são hoje distorcidos, decadentes e sem valores, o que me leva a sublinhar a incerteza actual na revivescência nacional.

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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Vazio de ideias

Faço tentativas para esvaziar do cérebro as ideias materialistas acumuladas durante o dia. Nessa altura absorvo frios números e à noite tento desintegrá-los,ou pelo menos, transformá-los em palavras.
Hoje nada me ocorre senão meras frases em bruto, por lapidar, transparentes e não manipuladas.
Sem ideias, sem saber que fim dar à caneta, resolvi somente pressionar as teclas deste velho teclado. Sem o pré-recurso do “Word” nem do seu apêndice “corrector ortográfico” tento postar algo com o mínimo de nexo … talvez em vão…. Talvez saia daqui algo parecido com nada.
È simplesmente o mórbido vazio que se insurge. Pelos vistos hoje é o dia da ressurreição do buraco negro que habita naquele diminuto pedacinho do meu cérebro, pela ausência de ideias ainda que lacónicas, pelo quase-vazio.
O nada, é uma quase viuvez à qual se sucede o luto cerebral.
O meu alento está no credo da vinda de um novo Big Bang de ideias.
Por agora é tudo … ou melhor … um quase-nada.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Um paradoxo: O Tempo da Vida

De que nos serve o tempo? Não andaremos nós, ínfimos seres, demasiado preocupados com o tempo… com a duração das coisas?
Tudo é contado… trabalhamos 8 horas (era bom que fossem apenas 8), acordamos às 7:00, estamos no trabalho às 8:00, almoçamos às 12:30 para depois regressar ao trabalho às 14:00… jantamos às 20:00… etc, etc .
Deparamo-nos constantemente com frases/lamentos relacionadas com o tempo do género: “Esta vida são dois dias”, “Se eu fosse mais novo”…
Será o tempo insuficiente para que um determinado Ser comungue (na verdadeira acepção da palavra) com a vida?
A Vida só pode ser considerada demasiado curta se a classificar como estando condenada à guilhotina do tempo. As limitações temporais da vida só o serão na realidade se, no nosso pragmatismo desmedido, nos pusermos a contar.
Nós, grotescos e ridículos seres, não compreendemos a verdadeira essência da vida. O Tempo é um desnecessário instrumento de medida e completamente inútil no que se refere ao verdadeiro sentido da palavra VIVER.
De que me serve ter um registo do que a vida me levou? Uma das principais faculdades do tempo é limitar as possibilidades da vida.
A minha realidade intuitiva leva-me a crer que nada do que é verdadeiramente relevante, que acontece presentemente e me torna num entusiasta amante da vida, tem a ver com o tempo.
A essência, aquilo que me torna vivo … o partilhar do riso contagiante de uma criança, o afagar do cabelo e a carícia na pele da pessoa amada, a incrível beleza das coisas simples… nada disto pode ser contabilizado em horas ou minutos. As coisas verdadeiramente importantes, aquelas que fazem emergir a nossa felicidade, sucedem-se como se o tempo não existisse.
A felicidade recusa qualquer conexão do tempo com a vida.
Eu assumo aqui e agora, o meu máximo desejo em libertar-me das correntes que me prendem a estes dois ignóbeis pesos: o tempo e as tarefas que a sociedade insiste em me impor. As tarefas que nos são impostas ou exigidas são, indubitavelmente, a repulsa do perfeito.
O acto de viver não pode, de forma alguma, ser considerado uma tarefa. O resplandecer da lua cheia, o nascer do sol ou o canto da cotovia ouvido pela manhã, não podem ser tarefas, apenas existem de uma forma bela, simples e intemporal.
A perfeição reside na preservação da liberdade de todas as coisas… de todos os seres, sem exigências contundentes, numa quietude repousante, tal como o alvo seixo que permanece no fundo das águas cristalinas de um rio … intocável, seguro de si e com a sua inata e elementar beleza.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Os fins justificam os meios?

Segundo Maquiavel, se o objectivo a ser alcançado fosse importante, qualquer meio para alcançá-lo seria aceitável. Tratava-se de uma ideologia que pregava o relativismo da ética e da moral.
Quanto a mim, é errado pensar que quando movimentamos os meios para atingir um determinado fim apenas este último é importante, não podemos de forma alguma considerar os meios como algo irrelevante e desprovido de qualquer valor. Se o nosso propósito for atingir o topo de uma montanha, isso não significa que o queiramos fazer de qualquer maneira. Queremos escalar a montanha, esforçarmo-nos por superar as rochas escarpadas, combater as tempestades de neve, parar a meio e observar a paisagem e o horizonte, etc. Ao termos o desejo de escalar a montanha, queremos atingir o nosso objectivo como deve ser.
Um qualquer feito mede-se não somente pelos resultados, mas também pelo modo como são conseguidos. Não seria para mim interessante ser simplesmente colocado por um helicóptero no topo da montanha.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Já presenciei …

- Opulentas e insubsistentes construções erigidas pelo erário público …

- O mais belo Pôr-do-sol subitamente ofuscado por negras nuvens …

- A extinguidas labaredas da vida de entes que me eram queridos …

- A caóticas mas acertadas manifestações populares …

- Á coragem Mater de alguém que dizia não a ter …

- Ao nascimento da mais perfeita flor …


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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Já tive ...

- Caprichosos caudilhos em fase ascendente que junto ao precipício deram um passo em frente …

- Sonhos desfeitos pela fraqueza aliada à escassez da necessária audácia …

- Sentimentos imperfeitos rasgados por estonteantes vendavais luxuriosos …

- Aprazíveis reflexões dilaceradas pelos lobos do intelecto …

- Verosímeis verdades não admitidas pelos cépticos …

- Amores platónicos e uns outros que nem por isso …

- Lágrimas quebradas por um simples raio de sol …

- A liberdade de ser o que realmente sou …

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quinta-feira, 7 de maio de 2009

(re) Vivências

(A Persistência da Memória - Salvador Dali)

Recordar vivências passadas é o que faço neste momento.
Outrora tudo era tão mais simples… tão mais saudável… tão mais livre… tão mais vivido … tão mais… ...
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Recordo:
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- Pessoas que me eram quase indiferentes mas que de algum modo perpetuaram em mim;
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- Velhos e saudosos amigos que o tempo foi afastando;
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-Velhos amores hoje semi-extintos e desses, aquele breve momento em que os lábios de um quase sentiam nos lábios do outro, o desejo intenso de serem beijados;
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- Velhos sentimentos apagados pelo tempo;
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- Velhas paisagens hoje inexistentes ou sombreadas por algo que lhes levou toda a beleza;
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- Algumas fragrâncias presentemente inodoras;
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- Sensações de outrora, actualmente não sentidas;
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-Meros objectos que hoje não passam de ferro velhoferrugemdestroços nada...
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Recordo… indício de que ainda vivo!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A derradeira viagem do viandante

Calcorreou paragens sem fim, vislumbrou com os seus próprios olhos paisagens de esplendorosa beleza mas, ainda assim, tal não preenchia os seus eternos vazios.
No fim da sua última viagem o viandante ainda não conseguia compreender o elementar som emanado por um murmúrio ou o nebuloso porquê da flor perfumar a mão que a esmaga. O incómodo sufocante da inatingível compreensão obrigou-o a parar e, ao parar, descobriu que os cenários/vislumbres de outrora já não eram assim tão belos, a sofreguidão da paisagem já não o preenchia e … cansou-se das suas viagens!
O cansado viandante bateu, por fim, à minha porta … e entrou! A luz provinda do fogo irradiava na sala, ele aproximou-se da sua origem, sentou-se, recostou-se e não tardou que o sono profundo chegasse. Adormeceu e regressou ao passado, ao adormecer escondeu-se da dura e crua realidade, apercebeu-se enfim que uma vivência unicamente real desperta o tédio da vida ofuscando a própria quimera dos nossos sonhos.
O cansado viandante “acordou” para o sonho reacendendo o titânico confronto com a dura realidade, a qual jamais necessitará de encarar… ele não mais despertou, perpetuando no seu mundo dos sonhos.
Agora terá tempo, agora irá compreender a essência fundamental das coisas e descobrir a razão de todos os porquês.
A viagem do cansado viandante chegou ao fim.